VARIEDADES

Desconhecido desumano

Estamos pré-dispostos a compreender somente as pessoas que já tivemos contato e não nos interessamos pelos desconhecidos.

Desconhecido desumano

Quando estou no trânsito e um motorista desatento está no celular a minha frente com o carro a 50% da velocidade da via, sou compreensivo? E quando alguém fura a fila que estou a mais de trinta minutos, eu dou um sorrisinho amarelo como quem diz ‘Tudo bem, mais um não faz diferença’? Não, logicamente respondo não para ambas perguntas. Mas se nas duas situações fossem grandes amigos meus, tanto a mula do volante, quanto o legalzão fura fila? Ah, talvez rolasse uma piadinha, mas só para descontrair e tudo certo.

Filme 'O menino do pijama listrado', 2008

Filme ‘O menino do pijama listrado’, 2008

Por qual motivo, estamos pré-dispostos a sorrir e compreender somente as pessoas que já tivemos contato e não nos interessamos pelos desconhecidos? Qual a diferença entre o primo de sangue que você viu duas vezes na vida e seu vizinho de porta que tenta uma aproximação a cada ‘bom dia’? Sigo a reflexão com base nos conhecidos brasileiros, nem é preciso expandir para outras nacionalidades onde talvez nem haja solidariedade por familiares e isenção de contato físico dentro da própria casa. Vamos seguir por aqui.

Certa vez, numa missa (época que comecei a frequentar a igreja católica, o que é feito com raridade atualmente), em meio as solicitações e pedidos daquela noite, percebi que minhas intenções geralmente eram direcionadas a saúde e paz para minha família e para os amigos mais próximos. Logo nas primeiras vezes que fiz tais pedidos, pensamentos contraditórios tiravam minha concentração.

Tragédia de Mariana, 2015

Tragédia de Mariana, 2015

Se um colega de trabalho emite uma opinião diferente da sua, pode ter um peso que perpetue por toda vida, que gere um câncer, e nunca mais teremos afeição por este colega, mas se a mesma opinião – as mesmas palavras e intenção – viesse daquele primo que você viu duas vezes na vida, talvez fosse relevado ou você até repensasse sua posição perante tal assunto. Então, não medimos apenas os atos e ideias, damos um peso diferente dependendo de quem vem, se não concorda comigo mas me conhece, ok, eu perdoo, mas não queria se fazer presente em minha vida se nunca me viu e discorda da minha opinião.

Não é possível olhar para uma pessoa desconhecida e imaginar que ela também pode ser sua melhor amiga? É utópico o bem geral da nação? Ou as pessoas que conhecemos são as melhores? Elas precisam de mais saúde do que os desconhecidos à beira da morte? Se não vai me atingir, pode sofrer?

Irreal é dizer que tal indivíduo pode ser espancado na manifestação por apoiar o partido político que vem acabando com nosso país. Desumano é não ter compaixão pelo sofrimento daqueles que estão sob o comando do líder de interesses duvidosos.

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Arquivo pessoal

Talvez o meu ‘querer bem’ não irá mudar o fluxo da vida e nem orando poderei livrar minha própria mãe do sofrimento, mas se eu olhar um desconhecido como alguém que tem suas dores e uma história única, pode ser que o ‘efeito borboleta’ reverbere algo e isso até volte para quem estiver ao meu redor.

Quero o melhor para o que estão por perto de mim, pois também serei feliz se eles estiverem com saúde, realizados profissionalmente e amorosamente, mas isso não quer dizer que o restante do mundo pode entrar em guerra.

Sigo na utopia que amor, compaixão e solidariedade fazem bem pro mundo.

 

O menino Omran, de 4 anos, ferido após ataque em Aleppo, na Síria.

O menino Omran, de 4 anos, ferido após ataque em Aleppo, na Síria.

 

Declaun persnagens mascotes gif Revista Momen

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Escrito por Cadu M Ferreira

Cadu Ferreira trabalha com Marketing Digital, tendo realizado cursos com renomados nomes do segmento. Gerencia Fanpages, presta consultoria e possuiu um canal no YouTube, no qual compartilha seu conhecimento na área. Possui registro profissional de ator, que o levou a interpretar o vilão Robbie Rotten do musical Lazy Town (Discovery Kids) na América Latina, com produção da TimeForFun, e a integrar o elenco da abertura da novela “Sete Pecados” da Rede Globo. A vivência no mercado de licenciamento e com produções de meeting greetings para a Looney Toones, Cultura Marcas e Exim Group Licensing, serviu para aprimorar o seu olhar criterioso e a lapidar sua atenção aos detalhes. É fundador da paulistana PB Character Entretenimento, hoje Declaun, empresa responsável por campanhas com mascotes para Nestlé, Greenpeace, Google, entre outras. Atuou como gerente financeiro e de mídias da empresa da ADforFun Entretenimento. É apaixonado por novas mídias, desafios, cerveja artesanal e viagens. Hoje se dedica ao projeto www.focolhe.com

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